Na temporada 2019/2020, o estado de Goiás, terceiro maior produtor de milho segunda safra, deverá colher 10,05 milhões de toneladas, de acordo com último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número representa um crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior, de 9,48 milhões de toneladas. Já a área plantada cresceu 13% neste ciclo, para 1,59 milhão de hectares.

 

E muitos produtores têm conseguido boas produtividades com a cultura do cereal, como é o caso do agricultor Clodoaldo Calegari, de Silvânia, região da Estrada de Ferro, com rendimento médio próximo de 140 sacas de milho por hectare. Para o produtor, a palavra-chave para o bom desenvolvimento da cultura é equilíbrio.

 

“Nós utilizamos materiais de milho convencionais e um dos motivos é a questão dos herbicidas. Como fazemos sucessão de culturas com soja e depois milho, buscamos evitar uma seleção de plantas daninhas resistentes a determinado herbicida. Além disso, os custos entre materiais convencionais e transgênicos se equilibram e temos a possibilidade de atender novos mercados”, disse o produtor durante a live do Projeto Mais Milho, realizada na noite desta quinta-feira, 11.

 

O produtor ainda deu outros detalhes sobre a produção de milho safrinha em sua propriedade, como a adubação a lanço de fósforo e potássio feita juntamente com a soja. “E no pós-plantio do milho safrinha investimos em adubação nitrogenada. Mas é preciso investir em perfil de solo, com profundidade adequada para o desenvolvimento do sistema radicular. Temos buscado na nossa propriedade o equilíbrio das frações química, física e biológica do solo”, acrescenta.

 

Ainda durante a transmissão ao vivo, comandada pelo vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Glauber Silveira, a comercialização e o comportamento dos preços também foram debatidos. Até o momento, os produtores de Goiás negociaram cerca de 70% da produção de milho estimada nesta temporada, contra a média dos últimos anos de 45%, conforme levantamento do presidente da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Ênio Fernandes.

 

“A alta do dólar atrapalhou as estratégias de hedge, ninguém previa esse câmbio tão alto, mas ajudou os produtores na comercialização da soja, potencializando margem e também contribuiu para o milho. Naturalmente, teremos uma queda nos preços do cereal com a chegada da segunda safra, próxima de 70 milhões a 72 milhões de toneladas, ao mercado. Mas as cotações dependerão da vontade do produtor de vir ao mercado e do comportamento do câmbio”, explica Fernandes.

 

A colheita da safrinha de milho em Goiás, inclusive, deve ganhar força nos próximos 15 dias. Cenário que já tem preocupado os produtores rurais em meio à interiorização da Covid-19, segundo destacou o presidente da Aprosoja-GO, Adriano Barzotto.

 

“Estamos em franca expansão de casos e orientando os agricultores sobre os cuidados e providências necessárias dentro das propriedades. Precisamos tomar cuidado para não sermos pegos de surpresa e termos fazendas inviabilizadas por alguns dias, se os colaboradores forem contaminados. Agora na pré-colheita a atenção é total”, alertou a liderança.

 

Em sua quarta temporada, o Projeto Mais Milho é uma realização do Canal Rural juntamente com a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat) e Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), com apoio institucional da CropLife Brasil.

Fonte: Canal Rural